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Agulhas de osso

Agulhas de osso

Dizem que os lábios falam sobre aquilo que o coração está cheio. O meu está transbordando e, mesmo antes da hora, assumo o risco de colocar algumas ideias no papel e compartilhar com você, afinal de contas, como diz Steven Kotler: “Quando o risco é um desafio, o medo se torna uma bússola – literalmente apontando na direção que precisam seguir.”

Tão importante quanto o que você está aprendendo, é com quem você está aprendendo. A educação tradicional, como a conhecemos, foi idealizada seguindo uma lógica de um mundo industrializado e isso não funciona mais.

Nesse mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo no qual estamos vivendo, precisamos aprender a pensar de maneiras diferenciadas, de modo a nos tornarmos capazes de encontrar soluções para problemas novos que surgem numa frequência cada vez maior.

Que tal lembrar que há pouco mais de uma década (apenas isso!) nós vivemos sem nossos smartphones pois eles ainda não existiam… Tudo parecia mais fácil. Hoje, onde somos bombardeados com previsões nefastas sobre o futuro do trabalho e até mesmo sobre o cruel desaparecimento de empregos (segundo cálculos da McKinsey, 2018) desaparecerão 800 milhões deles até 2030…

A estrada à nossa frente deixou de ser pavimentada e sinalizada. Aliás, cada a estrada? Novos caminhos se abrem sem nunca terem sido percorridos e nos convidam a sair de zonas de conforto que nos parecem tão seguras. Imagine isso tudo em nosso país, onde o desemprego anual atingiu 12,7% – a maior média histórica segundo o IBGE - isso antes do impacto da Pandemia do COVID-19...

Aí alguns apontam a solução e te pedem calma, dizendo que basta aprender a aprender. Ou então que é preciso desaprender para aprender. Como assim? O que precisa ser feito mesmo?? Muitos não estão conseguindo entender.

Futuro, Machine Learning, Inteligência Artificial, Soft Skills, Educação continuada, Reciclagem ao longo da vida, Estilo de vida saudável, escolhas… Ufa! Quanta coisa. Por onde começar sendo que nem tempo de parar pra pensar temos?

Calma. Pode ser mais simples do que parece. Robert Putnam, cientista político americano, disse certa vez que “Todos os grandes progressos da nossa sociedade ocorreram quando investimos nos filhos dos outros”. Sábias palavras, nas quais eu ousadamente acrescento hoje a seguinte afirmação: “independentemente da idade que tenham!”

Encerro essa reflexão citando o futurólogo Tim O’Reilly, que nos lembra que antigamente podíamos pedir informações à alguém ou consultar o conhecimento armazenado num mapa de papel – e que hoje podemos ver exatamente onde estamos e como chegar onde queremos, em tempo real. Em breve até nos deslocaremos num carro que nos levará ao nosso destino sem nenhum esforço ou atenção de nossa parte.

Nos leva a crer que todo avanço em nossa produtividade na história da humanidade veio da combinação entre humano e máquina.

Mas nesse mundo de complexidade, abro alas para a simplicidade, citando o relato de uma antiga travessia da ponte de terra entre a Sibéria e o Alasca, contado por O”Reilly, no qual fica evidente que a sobrevivência em climas inóspitos só foi possível graças a invenção da costura, que possibilitou a criação de vestimentas ajustadas ao corpo, de modo que estas permitissem aos humanos viver em climas muito frios.

Graças à costura! Naquela época, costurar com agulhas de osso foi um avanço tecnológico incrível!

Simplifique. Depende de nós!

Rony Tschoeke

rony@promovesaude.com.br

@rony_tschoeke

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