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ESG - Tendência ou mais do mesmo

ESG - Tendência ou mais do mesmo
Nei Grando
fev. 18 - 6 min de leitura
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Ontem (17/2/2022) participei como palestrante convidado da ABMEN para um debate sobre o hype/buzz que o tema ESG gerou recentemente no Brasil, com a pergunta: ESG é tendência ou mais do mesmo?

Nesse sentido, procuramos esclarecer inicialmente a definição e origem do termo ESG, onde foi definido como: acrônimo em inglês para Environmental, Social e corporate Governance, amplamente utilizado no mundo dos investimentos para se referir a aspectos não financeiros da gestão empresarial.

Origem do ESG

  • Há pelo menos 50 anos, já existia a preocupação com investimento em negócios sustentáveis.
  • Na metade da década de 1970, surgiu a sigla SRI, que, em uma tradução para o português, quer dizer investimento sustentável responsável.
  • A partir dessa época, fatores sociais passaram a contar cada vez mais na hora de escolher qual corporação merecia receber aporte financeiro de investidores.
  • Empresas que apoiavam a política do apartheid na África do Sul ou financiavam a Guerra do Vietnã, por exemplo, passaram a ter seus pedidos de investimento negados em razão das causas que defendiam.
  • Aos poucos, essas preocupações foram se expandindo, focando também nos impactos ambientais, entre outros critérios de responsabilidade corporativa das organizações.
  • A sigla ESG, no entanto, só foi aparecer de fato no presente século, mais precisamente em 2005, com o relatório “Who cares wins” (“Ganha quem se importa”), redigido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
  • A iniciativa reuniu 20 instituições financeiras de diferentes países, inclusive o Brasil, para definir diretrizes a respeito da inclusão de temas ambientais, sociais e de governança no gerenciamento de fundos e pesquisas com relação a esses assuntos.
  • Decidiu-se então que a inclusão dessas avaliações no mercado financeiro era benéfica não apenas para as empresas e os investidores, mas também para a sociedade como um todo.

Porque é uma tendência

Houve questionamentos no debate, sobre: porque as bolsas de valores e seus investidores estariam ditando as regras sobre questões ambientais e sociais, quando apresentam os critérios que são considerados na avaliação das empresas nestes dois pontos além da governança corporativa.

Foi quando esclareceu-se que as bolsas, simplesmente estão respondendo à demandas da sociedade sobre estes temas e as megatendências.

Lembrando aqui que:  megatendências vêm mudando a forma como vivemos há séculos, pois são forças poderosas e transformadoras que podem mudar a economia, os negócios e a sociedade global. Pense em eletricidade, automóvel, Internet. Atualmente temos como megatendências: mudanças climáticas e escassez de recursos; demografia e mudança social; avanço tecnológico; urbanização rápida; e mudança de poder econômico. Que as demais tendências costumam ser derivadas de tais megatendências, e que ESG está conectada a elas.

Além disso, foi observado que o ESG ganhou muita força nos últimos anos e tem origem em dois movimentos separados, que se convergem cada vez mais.

  • O primeiro é o accountability. Cada vez mais, as pessoas estão interessadas em conhecer o impacto que as empresas têm sobre seus colaboradores, clientes, suas comunidades e sobre o meio ambiente. Portanto, continuamente tentamos quantificar estas estruturas em métricas, as quais agora possuem novas categorias como o social, o ambiental e os aspectos da governança.
  • De outro lado, temos o movimento do business valuation com o argumento de que as métricas que o mercado tem hoje não conseguem capturar todo o desempenho e valor da empresa, pois não conseguem capturar aspectos intangíveis, tais como capital intelectual, social e humano do negócio. As métricas de ESG podem indicar como mensurar este capital.

Vale lembrar que, a nova economia do século 21 (que engloba economia criativa, economia colaborativa, economia compartilhada, economia multivalores, economia circular e economia digital) está alinhada com novos objetivos de preservação ambiental e os sociais como os da diversidade. Além disso movimentos como os das Empresas B, Capitalimo Consciente e um olhar corporativo maior para os stakeholders, também contempla tais princípios e valores que que a ESG contempla.

Alguns números

Segundo relatório da PwC, até 2025, 57% dos ativos de fundos mútuos na Europa estarão em fundos que consideram os critérios ESG, o que representa US$ 8,9 trilhões, em relação a 15,1% no fim do ano anterior. Além disso, 77% dos investidores institucionais pesquisados pela PwC disseram que planejam parar de comprar produtos não ESG nos próximos dois anos. Ou seja, uma forma consciente de investir, que tem origem nas gerações mileniuns e Z, pois muitos jovens já demonstram essa atitude. 

No Brasil, fundos ESG captaram R$ 2,5 bilhões em 2020. Este levantamento foi feito pela Morningstar e pela Capital Reset. Levantamento anual feito pela Deloitte e pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), em 2021, mostrou que 74% das empresas com ações em Bolsa planejam aumentar o orçamento destinado a ESG em 2022.

ESG na B3  - Como parte de sua estratégia de ampliação do portfólio de índices ESG, a B3 lançou, em setembro de 2020, em parceria com a S&P Dow Jones, índice S&P/B3 Brasil ESG, que utiliza critérios baseados em práticas ambientais, sociais e de governança para selecionar empresas brasileiras para sua carteira. Entre os critérios está a aderência aos Dez Princípios do Pacto Global na área de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção. Neste sentido, além dos Dez Princípios do Pacto Global, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável servem de guias para que as empresas analisem se suas práticas ESG estão alinhadas aos padrões internacionais e referência.

ESG no BlackRock - A maior gestora da ativos do mundo, a BlackRock, com mais de US$ 6 trilhões em carteira, passou a incluir em 2020 métricas ESG, transversalmente, em todas as suas análises de riscos. 

Considerações finais

De uma forma geral, algumas visões pessimistas e outras um tanto otimistas, chegaram à conclusão de que não importa se a sigla ESG está atrelada ao mercado financeiro ou se muitas empresas estão fazendo greenwashing, ou seja, uma "maquiagem verde". O que importa são os princípios e valores que cabem a todos nós seguir, fazendo tanto a diferença tanto como indivíduo, como em grupo na transformação necessária, que envolve menos consumismo e mais ação, buscando a todos qualidade de vida, bem estar social e preservação ambiental.

E você o que acha, ESG é tendência ou mais do mesmo? Responda nos comentários.

Um abraço, @neigrando

 


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