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2015 - Eye In The Sky

2015 - Eye In The Sky

 

Apesar desse filme mostrar o estado da arte em tecnologia de drones – utilizando os mais diversos formatos (de avião a inseto) e seus modos de uso para espionagem e artilharia--, o tema central gira em torno da ética na sua utilização. Acredito que seja essa a sua grande contribuição reflexiva.

Os dispositivos móveis controlados remota ou computacionalmente (conhecidos como drones), estão barateando cada vez mais e tornando-se objetos de desejo. No entanto, as implicações da utilização desses tipos de dispositivos são enormes, tanto para o bem, quanto para o mal, e precisam ser discutidas e negociadas socialmente, pois afetam diversos âmbitos do atual ecossistema mundial. Isso é de vital importância, pois quando qualquer agente (tecnológico ou não) entra em ecossistema desequilibrando o seu funcionamento, esse tende a reagir para se reequilibrar e, quando não consegue, sucumbe. Além da questão levantada no filme sobre o aspecto ético do uso de drones em situação de espionagem, contra-terrorismo e guerra, outras implicações, como privacidade e sustentabilidade, também precisam ser abordadas e discutidas:

  1. Privacidade – atualmente, consideramos alguns lugares como sendo privados devido à sua situação geográfica não acessível à observação alheia. Por exemplo, uma casa isolada no campo tem uma expectativa de privacidade maior do que uma casa com janelas para a rua em uma cidade movimentada. Ou, uma pessoa dentro da água, no mar, tem uma expectativa de privacidade maior da cintura para baixo do que da cintura para cima. No entanto, a partir do momento em podemos ter drones voando e mergulhando, acessando de forma visual e aural qualquer cenário, por mais longe que ele esteja, a expectativa de privacidade passa a não mais existir. Além disso, considerando-se a possibilidade cada vez maior de se reduzir esses drones a dimensões minúsculas (nanotecnologia), eles poderão se tornar invisíveis a olho nu. Nesse contexto, qualquer ambiente tende a ser vulnerável no futuro. Assim, questões relacionadas com privacidade, transparência e ética (como as discussões levantadas sobre Wikileaks, Snowden e Panama Papers) são extremamente pertinentes na questão da penetração dos drones na sociedade.
  2. Sustentabilidade – tenho visto cada vez mais o uso de drones pessoais em locais turísticos. Em lugares lotados, se cada pessoa no chão comandar um dispositivo voador sobre a sua cabeça, não conseguiremos mais ver o céu, além de surgirem questões de logística de voos, segurança (contra quedas e danos causados consequentemente), invasão de espaços privados ou proibidos, etc. Outra questão é a invasão sonora que esses dispositivos causam, perturbando, muitas vezes, a essência do ambiente. Exemplo disso ocorreu quando visitei o Deserto de Siloli, na Bolívia. Havia apenas um drone sobrevoando a formação rochosa da Árvore de Pedra, quebrando o silêncio profundo da natureza do deserto, prejudicando a experiência contemplativa do local. No mesmo dia, visitamos a Laguna Colorada, onde uma multidão de Flamingos fazia a dança do acasalamento, cantando em conjunto e realizando um show natural belíssimo, essencial para a preservação dessa espécie. A lagoa é demarcada com barreiras de pedrinhas para que nenhuma pessoa avance em áreas que prejudiquem os animais e seu habitat. Fiquei aflita pensando sobre o drone – não apenas o seu barulho, mas a possibilidade de sobrevoar a lagoa na região onde os flamingos estavam, poderiam afetar totalmente a sustentabilidade do local. Diz-se que quando um flamingo se assusta em lugar, ele nunca mais retorna. Acredito que precisamos discutir essas questões com urgência, antes que seja tarde demais para consertar potenciais danos à natureza e sociedade.

 

 


 

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